A emoção como ponte para o conhecimento” Reflexões sobre o papel das emoções na aprendizagem e na formação docente.

Por: desenvolvimento | 23 de outubro de 2025

A educação contemporânea tem reconhecido que emoção e cognição não são dimensões separadas, mas sim processos interdependentes. Pesquisadores como António Damásio (1994) demonstram que as emoções desempenham papel central na tomada de decisões e na construção do raciocínio. Assim, compreender a emoção como parte integrante da aprendizagem é essencial para repensar práticas pedagógicas e a formação docente.

 

Emoção e aprendizagem: evidências científicas

  • Neurociência e memória: estudos mostram que experiências emocionais ativam regiões cerebrais ligadas à memória de longo prazo, como a amígdala e o hipocampo (Immordino-Yang & Damasio, 2007).
  • Motivação intrínseca: emoções positivas, como curiosidade e entusiasmo, aumentam a persistência e o engajamento dos estudantes (Ryan & Deci, 2000).
  • Regulação emocional: aprender envolve lidar com frustrações e erros; a capacidade de regular emoções é fundamental para desenvolver resiliência acadêmica.

 

Formação docente e dimensão afetiva

O professor é, ao mesmo tempo, mediador cognitivo e afetivo.

  • Empatia pedagógica: compreender os sentimentos dos alunos fortalece vínculos e favorece a aprendizagem significativa.
  • Autoconhecimento docente: reconhecer e gerir as próprias emoções permite ao professor criar ambientes de aprendizagem mais equilibrados.

Práticas afetivas: metodologias que valorizam narrativas, projetos colaborativos e espaços de escuta ampliam o impacto da aprendizagem.

 

Emoção como ponte para o conhecimento

A emoção pode ser vista como uma ponte que conecta:

  • O saber ao viver: o conhecimento ganha sentido quando dialoga com experiências pessoais.
  • O professor ao aluno: vínculos afetivos criam confiança e ampliam a troca de saberes.
  • O indivíduo à coletividade: aprender com emoção fortalece a consciência social e ética.

 

Reflexões

Educar é um ato humano que integra razão e emoção. Reconhecer o papel das emoções na aprendizagem e na formação docente é abrir espaço para uma educação mais integral, capaz de transformar não apenas mentes, mas também corações. Como afirma Paulo Freire (1996), “não há educação sem amor”.

 

Referências sugeridas

Damásio, A. (1994). O erro de Descartes.

Immordino-Yang, M. H., & Damásio, A. (2007). We feel, therefore we learn: The relevance of affective and social neuroscience to education.

Ryan, R. M., & Deci, E. L. (2000). Self-determination theory and the facilitation of intrinsic motivation, social development, and well-being.

Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia.